Remoção de tatuagem deixa cicatriz?
Essa é uma das perguntas que mais escuto de quem pensa em iniciar uma remoção de tatuagem a laser.
A resposta curta é: Não, quando o laser é bem aplicado. Mas se for aplicado de forma errada, sim!
A cicatriz não é um resultado esperado de uma remoção a laser bem conduzida, mas nenhum procedimento com laser pode ser considerado totalmente isento de riscos. Por isso, a experiência do profissional faz tanta diferença para um resultado satisfatório.
Os lasers utilizados especificamente para remoção de tatuagens foram desenvolvidos para atingir preferencialmente o pigmento, reduzindo a quantidade de energia depositada nos tecidos ao redor. Por isso, tecnologias de pulsos muito curtos, como os lasers Q-switched de nanossegundos ou ainda os de picosegundos, sejam de Nd-Yag, Rubi ou Alexandrite, tornaram-se as principais tecnologias utilizadas para esse tipo de tratamento.
O ponto mais importante é entender que remover uma tatuagem não significa queimar a pele até o pigmento desaparecer.
Na verdade, quando o tratamento é excessivamente agressivo, a tentativa de remover mais pigmento em menos sessões pode aumentar justamente aquilo que queremos evitar: lesões, alterações de pigmentação, mudanças de textura e cicatrizes.
Por isso, quanto mais potente a maquina de laser, mais o profissional deve ser cauteloso na aplicação. Tem gente que acha que quanto melhor, mais caro e mais potente o equipamento, mais seguro será a remoção e não é necessáriamente assim que funciona.
Como o laser remove uma tatuagem?
A tinta da tatuagem está depositada principalmente na derme, uma camada mais profunda da pele.
Para atingir esse pigmento, os lasers utilizados na remoção trabalham com pulsos extremamente rápidos, na ordem de nanossegundos ou picosegundos.
A luz emitida pelo equipamento precisa ser absorvida pelo pigmento da tatuagem. Quando isso acontece, uma grande quantidade de energia é entregue em um intervalo extremamente curto, produzindo principalmente um efeito fotomecânico ou fotoacústico sobre essas partículas.
Em termos mais simples, o laser fragmenta o pigmento em partículas menores, facilitando o trabalho do próprio organismo na remoção progressiva desses resíduos.
Por isso o resultado não acontece somente no momento da aplicação do laser. O clareamento continua acontecendo ao longo das semanas seguintes ao tratamento.
A escolha correta do comprimento de onda, da fluência, da duração do pulso e de outros parâmetros é fundamental para concentrar o efeito no pigmento e limitar o dano térmico aos tecidos vizinhos. O manejo inadequado desses parâmetros pode aumentar os efeitos adversos.
Então por que algumas pessoas ficam com cicatrizes após remover uma tatuagem?
Existem diferentes situações que precisam ser separadas.
1. A cicatriz pode já existir antes da remoção
Nem toda cicatriz observada depois do tratamento foi causada pelo laser.
A própria aplicação da tatuagem pode ter provocado alterações na pele. Isso pode acontecer quando o tatuador traumatiza excessivamente uma região, deposita pigmento de maneira muito profunda ou realiza muitas passagens sobre o mesmo local.
Enquanto a tatuagem está muito pigmentada, algumas dessas alterações de textura podem passar despercebidas.
À medida que o laser remove a tinta, uma cicatriz que já estava presente pode ficar mais evidente.
O mesmo acontece com pacientes que chegam para tratamento após terem realizado procedimentos anteriores que já lesionaram a pele.
Por isso, antes de iniciar uma remoção, é importante avaliar não apenas a quantidade de pigmento, mas também a qualidade e a textura da pele existente sobre a tatuagem.
2. Parâmetros inadequados podem lesionar a pele
Um dos principais fatores de segurança na remoção de tatuagem é saber quanto de energia aquela pele consegue receber naquele momento.
Mais energia não significa necessariamente mais resultado.
Existe um limite entre gerar energia suficiente para atingir o pigmento e provocar uma agressão excessiva aos tecidos ao redor.
A literatura científica destaca que comprimento de onda, fluência, duração do pulso, características do pigmento e fototipo da pele precisam ser considerados na escolha dos parâmetros. Uma compreensão inadequada da interação entre laser, pigmento e tecido pode aumentar o risco de eventos adversos.
Por isso não existe um protocolo único que possa ser aplicado da mesma maneira em todas as tatuagens e em todas as pessoas.
3. O tipo de pele também interfere no risco
A melanina presente naturalmente na pele também pode absorver parte da energia luminosa.
Em fototipos mais altos, existe uma quantidade maior de melanina competindo com o pigmento da tatuagem pela absorção da luz.
Isso exige ainda mais cuidado na escolha dos parâmetros e dos comprimentos de onda.
Estudos sobre o uso de lasers em fototipos mais altos apontam maior susceptibilidade a algumas complicações, especialmente alterações pigmentares, bolhas e, em determinadas situações, cicatrização inadequada. Por isso, abordagens mais conservadoras podem ser necessárias nesses pacientes.
É justamente por isso que duas pessoas com tatuagens aparentemente semelhantes podem precisar de protocolos completamente diferentes.
4. Tentar remover rápido demais também pode ser um problema
É compreensível que quem começa uma remoção queira terminar o tratamento o mais rápido possível.
Mas tentar diminuir o número de sessões aumentando excessivamente a agressividade do tratamento ou diminuindo o tempo de intervalo entre as sessões nem sempre é uma boa estratégia.
A remoção de tatuagem depende não apenas do laser, mas também da resposta biológica do organismo.
Depois que o pigmento é fragmentado, o corpo precisa de tempo para processar esse material e para que o tecido se recupere antes de uma nova aplicação.
O número de sessões também varia bastante de acordo com fatores como:
- quantidade e profundidade do pigmento;
- cores utilizadas;
- tipo de tatuagem;
- localização no corpo;
- fototipo da pele;
- sobreposição de pigmentos;
- existência de cicatrizes ou alterações teciduais prévias.
A literatura reforça que características da tatuagem, da pele e a correta seleção dos parâmetros precisam ser consideradas individualmente no planejamento do tratamento.
Na prática, é preferível precisar de algumas sessões a mais e terminar o tratamento com a pele saudável do que tentar acelerar a remoção e deixar uma cicatriz que poderá permanecer para sempre.
Vermelhidão, inchaço ou bolhas significam que houve cicatriz?
Não.
É importante diferenciar reações transitórias da pele de uma cicatriz permanente.
Após uma sessão de remoção a laser podem ocorrer, dependendo do protocolo e das características da tatuagem, manifestações como:
- vermelhidão;
- edema;
- sensibilidade;
- pequenos pontos de sangramento;
- formação de crostas;
- pequenas bolhas;
- alterações temporárias da pigmentação.
Esses eventos não significam automaticamente que haverá formação de cicatriz.
Entretanto, também existem complicações possíveis, incluindo hiperpigmentação, hipopigmentação, alterações de textura, infecção e cicatrização anormal. A literatura científica reconhece a formação de cicatrizes como uma complicação possível, embora os lasers específicos para pigmentos apresentem uma vantagem importante em relação a métodos menos seletivos justamente por reduzir o dano ao tecido ao redor.
E aqui mais uma vez a experiência do profissional faz diferença. Um profissional qualificado não apenas sabe como evitar uma intercorrência, mas principalmente sabe como tratar a intercorrência quando ela acontece para que ao final do tratamento a pele não termine com marcas ou cicatrizes, mesmo quando intercorrências tenham acontecido ao longo do tratamento.
Laser Q-switched nanossegundos ou picosegundo pode deixar cicatriz?
Pode acontecer, porque risco zero não existe.
Entretanto, tanto os lasers Q-switched de nanossegundos quanto os picossegundos são tecnologias desenvolvidas para produzir pulsos extremamente curtos e tratar pigmentos de maneira seletiva.
Uma revisão sistemática publicada no Journal of the American Academy of Dermatology concluiu que lasers Q-switched Nd:YAG e picosegundos apresentam eficácia e segurança na remoção de tatuagens, embora o desempenho varie de acordo com características como a cor do pigmento.
Portanto, mais importante do que simplesmente perguntar “qual equipamento está sendo utilizado?” é avaliar também:
QUEM está utilizando, como os parâmetros estão sendo escolhidos e se o protocolo está sendo adaptado para aquela tatuagem e aquela pele.
A própria American Academy of Dermatology destaca que, embora a tecnologia tenha avançado, os resultados continuam dependendo fortemente de QUEM realiza o procedimento.
É possível remover completamente uma tatuagem sem deixar nenhuma marca?
Em muitos casos é possível alcançar um clareamento muito expressivo e até a remoção visual completa do pigmento.
Mas nenhum profissional responsável deveria prometer antecipadamente que toda tatuagem desaparecerá 100% ou que o tratamento será absolutamente livre de qualquer alteração, especialmente tatuagens multi coloridas.
Alguns pigmentos respondem mais facilmente que outros. Algumas tatuagens possuem grande quantidade de tinta, várias camadas ou pigmentos localizados mais profundamente.
Também pode permanecer uma diferença discreta de tonalidade, um contorno residual conhecido como ghosting ou alguma alteração que já existia na pele antes da remoção.
Estudos e revisões científicas deixam claro que, apesar da evolução das tecnologias, nem todas as tatuagens conseguem ser completamente eliminadas e alterações pigmentares ou texturais continuam sendo possíveis.
Como diminuir o risco de cicatriz durante a remoção de tatuagem?
Uma remoção segura começa muito antes do primeiro disparo do laser.
É necessário avaliar a tatuagem, o pigmento, a pele e o histórico daquele paciente para então criar um planejamento com um protocolo personalizado para aquele tratamento.
Durante o tratamento, alguns pontos são fundamentais:
- utilizar tecnologia adequada para remoção de pigmentos;
- selecionar o comprimento de onda compatível com as cores presentes;
- adaptar os parâmetros ao fototipo e às características da tatuagem;
- observar a resposta clínica da pele durante a sessão;
- respeitar o tempo necessário para recuperação entre os tratamentos;
- orientar corretamente os cuidados após cada sessão;
- reavaliar a evolução antes de decidir o protocolo seguinte.
Essa individualização é uma das diferenças entre simplesmente disparar um laser sobre uma tatuagem e realmente conduzir um tratamento personalizado de remoção.
Afinal, remoção de tatuagem deixa cicatriz?
Na grande maioria dos casos não. Normalmente, a cicatriz não é o resultado esperado de uma remoção de tatuagem a laser quando realizada adequadamente.
Os lasers modernos permitem direcionar grande parte da energia para o pigmento e reduzir a agressão aos tecidos ao redor.
Mas o tratamento precisa ser individualizado.
Não existe vantagem em remover pigmento rapidamente se, no processo, a pele for lesionada.
Para mim, uma remoção bem-sucedida não é apenas aquela em que a tatuagem clareou. É aquela em que conseguimos evoluir na remoção preservando ao máximo uma pele saudável, íntegra e sem cicatrizes.
Remoção de tatuagem em Toledo, PR
Sou Brunno Zenni, biomédico especialista em remoção de tatuagem, e realizo tratamentos de despigmentação a laser na Clínica MenZi, em Toledo, Paraná.
Cada tatuagem é avaliada individualmente para definir a estratégia mais adequada de tratamento, considerando características do pigmento, da tatuagem e da pele.
Se você tem uma tatuagem que gostaria de remover e quer entender melhor como funcionaria o tratamento no seu caso, envie uma foto da sua tatuagem pelo WhatsApp (45) 99905-1926.
A partir da foto, consigo fazer uma avaliação inicial do caso e passar as informações sobre o tratamento e o orçamento.
Referências científicas
Kent KM, Graber EM. Laser tattoo removal: a review. Dermatologic Surgery. 2012.
Kiran C. Laser tattoo removal: laser principles and an updated guide for clinicians. 2022.
Khunger N, Molpariya A, Khunger A. Complications of Tattoos and Tattoo Removal. 2015.
A systematic review comparing the efficacy and safety of laser treatments in tattoo removal, published in the Journal of the American Academy of Dermatology.
American Academy of Dermatology. Tattoo removal: Lasers outshine other methods.